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Processo de lutas e resistências dos descendentes de quilombolas de Livramento é debatido em evento provocado pela OAB/VG

Legitimidade de direitos

  • Publicado em 19/11/2022
  • Atualizado em 19/11/2022

Fonte: Assessoria

Autor: Assessoria

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Legenda: Júnia Santana é mestre e doutoranda em educação.

Autor da Foto: Assessoria

A busca secular pela legitimação do seu território pelas lideranças negras femininas da comunidade descendentes de quilombola da comunidade de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, também foi tema de debate na última quinta-feira (17) durante evento provocado pela OAB/VG sobre conscientização dos Direitos Humanos no município papa-banana. Os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Meninas e Mulher também foi exposto a um grupo seleto de mulheres negras ou descendentes, em parceria com a Câmara Municipal, através da Sala da Mulher.

As origens, os legados e até os embates e conflitos diretos e indiretos com fazendeiros da região foram proferidos pela professora Júnia Santana, mestre e doutoranda em educação.

Júnia deu início na sua palestra ao denunciar “que infelizmente a violência persiste em Livramento e atinge a todos moradores, em especial, as mulheres da comunidade de Mata Cavalo”. Ela baseou sua explanação na pesquisa de campo, desenvolvida por ela mesma, com 10 representantes femininas do Quilombo Mata-Cavalo. “Através desse meu trabalho, conheci narrativas de dez mulheres comprometidas com as lutas pelas terras quilombolas. Registrei minuciosamente os obstáculos existentes e as táticas delas para a superação”, observou.

De acordo com a pesquisadora, também se percebeu que essas lutas incluem o cuidado ambiental, e por serem mulheres, como aprenderam a conciliar a maternidade com as travessias cotidianas e “assim eu me situei diretamente numa perspectiva da realidade social daquele povo. Eu falo de uma realidade concreta e podemos dizer quase que palpável das próprias participantes da pesquisa, tanto de maneira individual como coletiva”.

Foi emocionalmente vivenciar tudo isso, segundo Júnia. “A cada entrevista, uma anotação diferente nas páginas do caderno de campo ou da gravação de áudio e vídeo, e também nas fotografias. Pude observar que mesmo diante de tamanhas dificuldades, ali tem mulheres guerreiras que buscam um processo de maior visibilidade de seus enfrentamentos cotidianos”.

Num tom ameno e fala bem cadenciada pela emoção, Júnia salientou que por muitos anos as mulheres da região de Mata Cavalo foram oprimidas pelas condições de subalternidade, opressão e marginalização que a sociedade ainda tenta impor. “Todavia, os tempos são outros e todas elas sabem dos seus direitos conquistados em leis. Mulheres guerreiras que delas muito me admiro”, concluiu.

#CâmaradeLivramentoMT